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Negócios

Aumento real de salários preocupa indústria

Data:10/12/2012 - 06:53

Cidade:Regional

Tendência de alta nos ganhos em 2013 será sustentada pela manutenção do baixo desemprego e falta de mão de obra
Os aumentos de salários acima da inflação devem continuar pressionando o custo da indústria, apesar do crescimento anêmico do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Em 2013, dizem os especialistas, a tendência de alta nos ganhos salariais será sustentada pela manutenção de fatores como o desemprego baixo e a escassez de mão de obra qualificada, em um cenário de crescimento econômico maior que o de 2012. A indústria, porém, reclama de perda de competitividade e fala em trocar homens por máquinas nas linhas de produção.

“Existe uma competição muito acirrada no mercado de trabalho que obriga a indústria a conceder reajustes mais fortes para não perder mão de obra já treinada para o setor de serviços”, diz o economista Caio Machado, da LCA Consultores. O diretor de competitividade e tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), José Ricardo Roriz Coelho, afirma que a situação de boa parte da indústria não permite mais aumentos reais de salário. Ele alega que as empresas não conseguem absorver novos aumentos de custo nem repassá-los aos preços por causa da concorrência internacional. “Existe um limite para isso, e acho que nós chegamos a esse limite”, diz Roriz Coelho. “Quando o salário começa a aumentar muito, a saída é investir em equipamentos que usam menos mão de obra.”

Na semana passada, o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, hoje no comando da Rio Bravo, chamou a atenção para a situação de empresas que estão passando por dificuldades para gerar receita, o que, em um ambiente de alta carga tributária, pode elevar a taxa de desemprego no curto prazo. “Há empresas enforcadas. Há indício de que o mercado de trabalho tem de se ajustar para arrumar a economia. E é provável que isso possa ocorrer no início do próximo ano”, diz o economista.

Nem em pesadelos os sindicalistas admitem abrir mão do aumento real dos salários neste momento. Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Miguel Torres, eventuais demissões em massa seriam um tiro no pé das próprias empresas e da economia brasileira como um todo. O sindicalista argumenta que o Brasil se deu bem em relação a outros países por ter combatido a crise internacional com aumento de emprego e salário. “Quem recorreu à automatização e diminuição de postos de trabalho está hoje em uma crise da qual não sai tão cedo.”

Os ganhos salariais estão batendo recorde neste ano. Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que 96,5% dos reajustes no primeiro semestre ficaram acima da inflação. Foi o melhor desempenho desde 1996, quando o estudo começou a ser feito. A média de ganho real, também recorde, ficou em 2,23%.

Os ganhos reais em torno de 2% foram mantidos no segundo semestre, puxados pelas negociações de grandes categorias. Os 750 mil metalúrgicos da Força Sindical de São Paulo, por exemplo, receberam reajuste salarial de 8% no mês passado, que representou aumento real de 2%. “Não fossem os aumentos reais de salário, o PIB ficaria ainda pior”, diz Torres, referindo-se às projeções do mercado que indicam crescimento na faixa de 0,8% a 1% para este ano.

Sem muita margem para corte de custos, as empresas vão acabar tendo de repassar o aumento dos salários para os preços, avalia o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale. O movimento é favorecido pela valorização do dólar em relação ao real, que acumula ganho de 12% no ano.

“O câmbio ao redor de R$ 2,00, indo para um patamar de R$ 2,10, abre espaço para repasses de custo sem perda de vendas para a concorrência internacional, já que o preço do produto brasileiro, em dólares, ficou mais barato.”

Custo da mão de obra no Brasil passa a assustar investidores
O custo da mão de obra no Brasil, antes atrativo para as companhias, agora é um dos vilões da perda de competitividade do produto nacional. Altos encargos sociais e reajustes acima da inflação colocaram os gastos com funcionários na lista de itens que fazem do Brasil um país caro para a produção de bens de consumo.

Um funcionário da GM do Brasil, por exemplo, recebe, em média, de US$ 20,00 a US$ 25,00 por hora. No México, a média é de US$ 8,00 e, na China, entre US$ 5,00 e US$ 6,00. “O Brasil precisa de uma reforma trabalhista, não para reduzir salários, mas para permitir mais flexibilidade nas negociações”, defende o presidente da GM América do Sul, Jaime Ardila. Estudo da Roland Berger sobre o setor de autopeças conclui que, somando impostos e benefícios, o trabalhador brasileiro custa à empresa em média US$ 8,00 por hora. Na Argentina, esse valor é de US$ 5,00, na China, de US$ 3,00 e, no México, US$ 2,00. O Brasil, em geral, só fica atrás dos países desenvolvidos. Stephan Keese, sócio da Roland Berger, diz que o custo da mão de obra brasileira deixou de ser competitivo nos últimos três anos, quando o mercado doméstico começou a estagnar e as exportações despencaram. Outro estudo aponta que um profissional graduado de nível intermediário no Brasil tem remuneração anual média de US$ 40,4 mil, ante US$ 31,3 mil na Argentina e US$ 24 mil no México.

Alta salarial no Brasil superou média mundial
Os salários no Brasil crescem a um ritmo duas vezes maior que a média mundial, mas a produtividade do brasileiro não tem acompanhado o aumento de renda. Os dados são da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que ainda alerta que o consumo tem sofrido uma expansão ainda maior que os salários, e trabalhadores estão se endividando, usando 100% de suas rendas para o consumo.

Em média, os salários no mundo aumentaram em 1,2% em 2011. Mas, nos países ricos, a renda do trabalhador caiu em 0,5% diante do desemprego, da recessão e das políticas de austeridade. Na Grécia, a queda nos salários foi de 15% em 2010 e 2011, contra uma redução na Espanha de 4%. No Reino Unido, os salários foram reduzidos em 6% entre 2009 e 2011, enquanto há uma estagnação da renda nos Estados Unidos.

Já no Brasil, a taxa registrada apresenta uma expansão de 2,7% no ano passado, depois de um crescimento de mais de 3% anualmente desde 2004. A taxa de 2012, apesar de mais elevada que no resto do mundo, ficou abaixo da média dos últimos anos. Em 2006, a expansão foi de 4%, contra 3,2% em 2007, 3,4% em 2008, 3,2% em 2009 e 3,8% em 2010.

Os dados mostram, porém, que a produtividade do trabalhador brasileiro não seguiu o mesmo ritmo. Enquanto a média de expansão anual dos salários foi de pouco mais de 3% nos oito anos, os ganhos de produtividade ficaram em 2,2%.

No restante do mundo, o que a OIT nota é uma tendência justamente contrária: salários estão crescendo menos que a produtividade. Ou seja, trabalhadores estão produzindo cada vez mais, mas sem um aumento de renda proporcional. “Os trabalhadores estão se beneficiando menos dos frutos do trabalho, enquanto os proprietários dos capitais se beneficiam mais”, diz o estudo.

Nos países ricos, a produtividade aumentou duas vezes mais rápido que os salários desde 1999. Na Alemanha, a produtividade aumentou em 25% em 20 anos, enquanto os salários apenas acompanharam a inflação.

Se no Brasil os salários registraram um aumento, ele não foi o maior entre os emergentes. O destaque continua sendo a China, com um aumento de renda dos trabalhadores de 10% ao ano, mesmo durante a crise. Segundo a OIT, foi essa tendência que permitiu que, em pouco mais de uma década, os salários na China quase triplicassem. Países como Uruguai, Rússia, África do Sul, Malásia e Tailândia registraram expansão na renda superior à obtida no Brasil.

Apesar da expansão, a OIT alerta que a disparidade salarial média de um operário brasileiro numa fábrica e um trabalhador num país rico é ainda profunda. Por hora, um funcionário de uma fábrica no Brasil ganha em média US$ 5,5, menos do que se ganha em Portugal ou na Argentina. Na Grécia, o salário é de US$ 13,00 por hora, contra mais de US$ 23 nos EUA e US$ 35 na Dinamarca.

Relatório da OIT alerta para o risco de elevação do consumo
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) fez um alerta para o destino dado aos rendimentos dos trabalhadores brasileiros. Para a entidade, há sinais claros de um padrão de consumo que está levando a uma elevação de dívidas, acima mesmo de um aumento do consumo baseado nos salários. Na prática, a expansão do consumo não está seguindo o aumento da renda, mas dos créditos.

Na avaliação da entidade, “há uma propensão muito alta para consumir” entre os beneficiados pelo aumento de salários no Brasil. “Estudos mostram que assalariados gastam 100% de suas rendas, com poupanças privadas vindo apenas dos lucros feitos pela camada mais elevada da população”, alertou a OIT.

“Ao mesmo tempo, pelo impacto da financialização, o Brasil tem experimentado uma expansão dos empréstimos e reduziu a propensão média para poupar”, indicou. A OIT lembra que isso tem sido alimentado por taxas de juros mais baixas, mantidas pelas autoridades para incentivar investimentos. “Ainda que esse ambiente beneficie aqueles que promovem investimento de capital, está também levando a uma acumulação de dívidas que alimentam o crescimento econômico via consumo”, indica a OIT.

Guy Ryder, diretor-geral da OIT, admitiu a tendência de endividamento do trabalhador brasileiro. “Sabemos que os brasileiros gostam de consumir”, disse. “Isso pode ser central na economia e gerar dinamismo”, apontou o britânico. Mas alerta que, no médio prazo, o “crescimento precisa ser baseado em investimentos”.

Mas o que mais preocupa a OIT não é a situação no Brasil, mas a redução de salários em países afetados pela crise. Segundo  Ryder, não falta dinheiro nas economias. “O que ocorre é que empresas estão sentadas sobre trilhões de dólares e não estão investindo. Já os bancos não estão emprestando”, declarou.

“No caso de Grécia e Espanha, está claro que a recessão afetou de forma drástica os trabalhadores, com cortes nos salários”, disse. A OIT apelou para que governos não sacrifiquem salários e apontou como a adoção de incrementos nos salários-mínimos podem reduzir a pobreza e ainda ser um motor para a expansão das economias.

Fonte: J. do Comércio



 

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